

História do Cerco de Lisboa
Raimundo Silva encontra-se reunido com a proprietária de uma editora, Maria Sara e com o seu diretor literário, Costa.

Raimundo Silva, um revisor de livros medíocre e amargurado, encontra-se reunido com a proprietária de uma editora, Maria Sara, uma mulher ambiciosa que dedicou toda a sua vida à profissão, e com o seu diretor literário, Costa. O motivo da reunião deve-se ao facto de Costa ter descoberto a presença de um “não” em vez de um “sim” num livro histórico sobre o Cerco de Lisboa, alterando assim o sentido da obra. No decurso desta extensa reunião o revisor explica por que fez essa mudança, e os resultados que esperava obter ao fazê-la. Costa propõe que Silva seja despedido e Maria, tendo em conta a explicação do revisor, propõe-lhe uma alternativa: terá que escrever um romance a entregar quanto antes, ou então sim será despedido. Silva aceita o desafio.
Isola-se a escrever, e usa como documentos a história do Cerco de Lisboa e as obras do ilustre escritor José Saramago. Contudo, não avança: sente-se dominado pelo peso da História, e a ficção não surge. Quando o revisor se encontra totalmente desesperado, os textos de Saramago trazem-lhe novo ânimo, e inspiram-no a utilizar a vida quotidiana como base para a ficção. Raimundo planeia modificar a sua abordagem e cortejar Maria Sara, do mesmo modo que Mogueime, um soldado cristão que combatia os árabes, conquistou Ouroana, a concubina do cavaleiro Henrique, seu superior no exército português que cercava Lisboa. Saramago reescreve a história do cerco de Lisboa: só quando Mogueime conquista Ouroana, é que é capaz de levar a cabo a ação heróica de invadir o castelo dos árabes, símbolo do poder mourisco sobre a cidade. Saramago dá estas cartas a Raimundo Silva. Ao lê-las, o revisor sente-se com forças para se aproximar, de forma decidida, de Maria Sara, conquistá-la e finalizar a sua obra de ficção. Este é o último cerco a ser derrubado – como formula Saramago –, o da solidão de Maria e de Raimundo.
Vídeo
Interpretação
Ficha Artística, Técnica e de Produção
Texto: a partir de José Saramago
Dramaturgia: José Gabriel Antuñano
Encenação: Ignacio García
Assistente de Encenação: Marco Trindade
Interpretação: Ana Bustorff, Elsa Valentim, João Farraia, Jorge Silva, José Peixoto, Luís Vicente, Pedro Walter, Rui Madeira e Tânia Silva
Cenografia: José Manuel Castanheira, assistido por Pedro Silva e pelos estagiários Filipe Fernandes, Francisca Castro, Inês Carrillo, Maria Luís e Sofia Lacerda
Figurinos: Ana Paula Rocha
Música: Ignacio García
Fotografia: Rui Carlos Mateus
Desenho e Operação de Luz: Guilherme Frazão
Desenho e Operação de Som: Miguel Laureano
Follow Spot: Octávio Oliveira
Maquinaria: António Sérgio Martinho
Apoio: Fundação José Saramago
Coprodução: ACTA, CTA, CTB e Teatro dos Aloés
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