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Trata-se da dramatização de alguma da correspondência trocada entre Fernando Pessoa e Ofélia Queiroz. À referida correspondência são acrescentados textos outros, de Fernando Pessoa e também do próprio encenador. Toma-se por pressuposto dramatúrgico que o senhor Fernando sabe o que está a fazer enquanto a menina Ofélia é enredada no idílio inconsequente de uma paixão sem correspondência. No senhor Fernando há uma racionalidade com objetivos experienciais que visam servir a sua obsessiva e obstinada produção poética, enquanto que na menina Ofélia há uma participação irrefletida como desígnio de destino. Nela, a existência cumpre-se com um sentido de devir trágico; nele, dá-se um incidente que confere uma inesperada densidade ao ramerrame da sua vida rotineira comezinha. Portanto, o enredo, a manipulação, a “encenação”, são dele; ela cumpre o que ele determina que se cumpra. Nela é visível a transformação de uma psicologia num comportamento, alheia aos ditames de um destino trágico (simbólico) que se cumpre da primeira à última carta dela. As cartas dele correspondem aos desígnios distintivos de um deus ex machina em ação. Este mesmo, determina que a ação decorra entre o elemento Água e o elemento Fogo. O espaço cénico comporta o lugar da ação propriamente dita, i.e., aquele onde acontece o diálogo que se recria com a troca de correspondência entre os dois intervenientes da narrativa, e um outro espaço cénico (de que o anterior é concêntrico), que representa os camarins onde os atores se preparam para vir a ser personagens. Há cartas dele que são ditas e/ou lidas por ela; há cartas dela que são ditas e/ou lidas por ele; há cartas dele que são ditas por ele; há cartas dela que são ditas por ela; há cartas dele que ela canta; há cartas dela que ele dá a ler a Álvaro de Campos; há cartas dele que ela... A encenação não deixa de considerar o tratamento assertivo um variado conjunto de sinais que visam a mais direta inteligibilidade do espetáculo por forma a proporcionar ao público estudante instrumentos que promovam a satisfação do seu interesse e da sua curiosidade – é, portanto, um espetáculo que além de objetivos artísticos visa também objetivos pedagógicos.
“Meu querido amorzinho: hoje tenho tido imenso que fazer.”, começa uma das cartas de Fernando Pessoa a Ofélia Queiroz. Na correspondência entre ambos há quem julgue vislumbrar um lado desconhecido do poeta – um relance de uma suposta “verdade”.”
Encenador Paulo Moreira
Interpretação
Ficha Artística, Técnica e de Produção (Reposição em 2023)
Texto: Criação Própria, sobre cartas de Fernando Pessoa e Ofélia Queiroz
Dramaturgia e Adaptação: Paulo Moreira
Encenação: Paulo Moreira
Interpretação: André Canário e Tânia Silva
Música: Carlos Paredes
Desenho e Operação de Luz: Octávio Oliveira
Espaço Cénico: Luís Vicente
Concepção Cenográfica: Tó Quintas
Divulgação: Rita Merlin
Comunicação: Sofia Rodrigues
Administração: Ana Anastácio
Produção Executiva: Raquel Taveira
Direção Artística e de Produção: Luís Vicente
Produção: ACTA
Ficha Artística, Técnica e de Produção (2014)
Texto: Criação Própria, sobre cartas de Fernando Pessoa e Ofélia Queiroz
Dramaturgia e Adaptação: Paulo Moreira
Encenação: Paulo Moreira
Interpretação: Bruno Martins e Tânia Silva
Música: Carlos Paredes
Desenho e Operação de Luz: Octávio Oliveira
Espaço Cénico: Luís Vicente
Concepção Cenográfica: Tó Quintas
Desenho Gráfico: Rita Merlin
Promoção e Divulgação: Hugo Lemos
Secretariado: António Marques
Produção Executiva: Elisabete Martins
Direção Artística e de Produção: Luís Vicente
Produção: ACTA






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