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A questão da relação homem/mulher é, em múltiplos aspectos, hoje como no passado, uma questão de antropofagia.

No fundo, a questão da relação homem/mulher é, em múltiplos aspectos, hoje como no passado, uma questão de antropofagia. Diz Unanmuno que o homem não pode viver senão de fome. A mais viva expressão de amor é “Eu comia-te!” (...) Só que hoje já não comemos as carnes; mas podemos e devemos comer as almas. E insiste ele em que assim seja, apesar da dolorosa digestão, para se existir de verdade.
É desta matéria, na sua abrangência real e metafórica, que fala este espetáculo em que, uma vez mais mas segundo diverso paradigma semiológico, procuro a perfeição do signo. Agora, nesta nova encenação (posto que já anteriormente, em 2000, tinha abordado estes mesmos textos num outro espetáculo - Mulher, mulheres), basicamente procurando em alguns momentos uma maior incidência expressiva menos próxima do naturalismo no que respeita ao trabalho das atrizes.
Quanto ao fim último deste trabalho, reitero o que escrevi em 2000: diz o Maurice Blanchout que toda a obra de arte só o é porque enferma de imperfeição. E a Franca Rame lança o desafio: Há dois mil anos que choramos. Vamos agora rir, rir de nós próprias. Pois que o riso e a imperfeição constituam entre aplausos ou pateada um bom prato de alma. Bom apetite!
Interpretação
Ficha Artística, Técnica e de Produção
Textos: Jean McConnell, Dario Fo/Franca Rame e Charo Solanas
Tradução: Maria de Fátima Pena dos Santos
Dramaturgia e Encenação: Luís Vicente
Assistência de Encenação: Tânia Silva
Interpretação: Elisabete Martins e Glória Fernandes
Cenografia: Tó Quintas
Figurinos: ACTA
Desenho e Operação de Luz: Paulo Santos
Sonoplastia: Paulo Santos
Operação de Som: Tânia Silva
Produção Executiva: Elisabete Martins
Secretariado: António Marques
Direção Artística: Luís Vicente






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