

Catarina
Espetáculo inspirado na vida de Catarina Eufémia.

O tema de Catarina Eufémia há muito que me andava nas voltas do pensamento, até que um dia resolvi telefonar ao Jacinto Lucas Pires, a expor-lhe a ideia. “Pensa lá se o queres trabalhar, não precisas de me responder já!”. E, com alguma surpresa para mim, o Jacinto respondeu-me de imediato com um convicto “Sim, quero!” acrescentando “Nem penses em mais ninguém!”. Depois, espaçadamente, durante meses, no nosso ‘gabinete de trabalho’ na explanada de um quiosque ao Príncipe Real, em Lisboa, fomos fazendo percurso de ‘brainstorming’ até ao dia em que o Jacinto me enviou 11 páginas de texto e eu lhe respondi “É isto mesmo, continua!”. Como linha orientadora do nosso desígnio tínhamos o poema “Catarina Eufémia”, de Sophia de Mello Breyner, e um conjunto de ideias a ele associadas, as quais confluíam para um tipo de abordagem afeto às grandes e gerais linhas da tragédia grega. À medida que, recorrentemente, visitava o texto ia-me apaixonando por ele e interiorizando o notável exercício criativo do Jacinto; quando chegou à altura de as/os colegas com ele se confrontarem, verifiquei nelas/les o mesmo entusiasmo. Havia agora que criar uma confluência plástica entre o texto e a ação; uma unidade estética entre palavra dita e palavra cantada, o gesto e o movimento. Neste ponto convoquei os ensinamentos de Meyerhold e um pequeno ensaio de Marguerite Duras, que li há mais de 40 anos, no qual ela fala de peixes e atores (e que, incrivelmente, me revisitou agora o pensamento como uma urgência metodológica); e ainda a transubjectividade, ‘concreta como frutos, nítida como pássaros’, de um ensaio sobre Antígona/Sófoles, incerta em “O sonho Criador”, de Maria Zambrano. Depois, a Filipa e o António, cada um no seu campo, fizeram o que havia a fazer; e assim fizeram o Octávio, o Quintas, o Poeira, o Sérgio e as Moçoilas e toda a equipa de antigos/as e recentes companheiros/as, a quem muito agradeço o entusiasmo, a dedicação e a paciência.
Luís Vicente
O tema de Catarina Eufémia há muito que me andava nas voltas do pensamento, até que um dia resolvi telefonar ao Jacinto Lucas Pires, a expor-lhe a ideia. “Pensa lá se o queres trabalhar, não precisas de me responder já!”. E, com alguma surpresa para mim, o Jacinto respondeu-me de imediato com um convicto “Sim, quero!” acrescentando “Nem penses em mais ninguém!”. D
Luís Vicente
Vídeo
Interpretação
Ficha Artística, Técnica e de Produção
Texto: Jacinto Lucas Pires
Dramaturgia e Encenação: Luís Vicente
Interpretação: Ana Cris, André Pereira, Elisabete Martins, Glória Fernandes, Jeannine Trévidic, José Maria Simão, Luís Manhita, Luís Vicente, Miguel Martins Pessoa, Sara Vicente
Alunos/Estagiários*: Catarina Bento, Natacha Candeias, Inês Gonçalves, Rafael Davide Góis, Rodrigo Gonçalves, Daniel Romeiro, Diogo Ramos, Duarte Palma, Samuel Sequeira
Coreografia/Bailarina: Filipa Rodriguez
Apoio Vocal: António Alves Pereira
Participação Especial: Moçoilas
Voz Off: Sílvia Brito (para dois poemas de Sophia de Mello Breyner)
Conceção Plástica: Luís Vicente, Tó Quintas e Octávio Oliveira
Figurinos e Adereços: Tó Quintas
Desenho e Operação de Luz: Octávio Oliveira
Desenho e Operação de Som: Nuno Poeira
Maquinista: António Sérgio Martinho
Conceção Visual e Multimedia: João Franck
Fotografia: Sónia Aço
Treinador de Equitação: Joaquim Santa Maria (Equinostrum – Clube de Equitação e Lazer de Faro)
Divulgação: Rita Merlin
Comunicação: Sofia Rodrigues
Secretariado: Ana Anastácio
Produção Executiva: Elisabete Martins
Direção Artística: Luís Vicente
Produção: ACTA
*Estagiários do Curso de Artes do Espetáculo da Escola Secundária Tomás Cabreira, Faro

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